Política

Primeira mulher candidata no Brasil foi eleita prefeita em 1928 no RN

A candidatura e a vitória de Alzira só foram possíveis devido a uma lei estadual do Rio Grande do Norte

3 min

30/08/2026 10:15 • Atualizado há 1 dia

Primeira mulher candidata no Brasil foi eleita prefeita em 1928 no RN

A política brasileira é, historicamente, dominada por homens. As mulheres passaram a aparecer com mais frequência apenas nos anos 1980 no cenário eleitoral. No entanto, no Rio Grande do Norte, uma mulher jovem quebrou todos os tabus da época e foi a primeira candidata mulher do Brasil: Luiza Alzira Teixeira Soriano, conhecida como Alzira Soriano.

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Alzira Soriano quebrou barreiras intransponíveis para a época ao se tornar, em 1928, a primeira mulher eleita para um cargo executivo municipal no Brasil e em toda a América Latina. Nascida em Jardim de Angicos, no Rio Grande do Norte, em 1896, Alzira assumiu a Prefeitura de Lajes em 1º de janeiro de 1929, aos 32 anos de idade, após vencer o pleito com expressivos 60% dos votos válidos.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2026, houve um recorde no registro de candidaturas femininas no Brasil. Ainda assim, a proporção é de 65,1% de candidaturas de homens (13,4 mil registros) e 34,8% de candidaturas femininas (7,16 mil registrros). Os cargos mais disputados por elas são para as câmaras federal, estadual e distrital (35,1%), 22% para o Senado Federal, 16,4% para cargos executivos.

O pioneirismo potiguar e a legislação histórica

A conquista de Alzira Soriano ocorreu anos antes de o voto feminino ser oficializado no Brasil. Enquanto o Código Eleitoral brasileiro que garantiu o sufrágio universal às mulheres só foi promulgado em 1932, o Rio Grande do Norte esteve na vanguarda da redemocratização ao aprovar a Lei Estadual nº 660, de 1927.

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A legislação potiguar garantiu o direito ao voto e à elegibilidade sem distinção de sexo, abrindo espaço para que mulheres pudessem disputar e liderar cargos públicos pela primeira vez no país. Na mesma eleição histórica, outras mulheres também conquistaram espaço político no estado, como as intendentes (equivalente a vereadoras) Júlia Alves Barbosa e Joana Cacilda de Bessa.

Gestão e desafios na política

Durante sua gestão à frente da Prefeitura de Lajes, Alzira imprimiu um ritmo de trabalho focado em melhorias estruturais para o município. Seu mandato foi marcado por iniciativas voltadas à construção de estradas, expansão de mercados públicos e melhorias no sistema de iluminação urbana.

No entanto, o cenário político nacional sofreu reviravoltas drásticas com a Revolução de 1930. Com a tomada do poder por Getúlio Vargas e a dissolução de cargos eletivos, Alzira recusou-se a governar como interventora nomeada pelo novo regime, defendendo a legitimidade de seu mandato democrático, o que a levou a deixar o cargo.

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Anos mais tarde, com a redemocratização do país, ela retornou à vida pública, sendo eleita vereadora por múltiplos mandatos consecutivos na sua região natal, consolidando um legado de coragem, liderança e inspiração para gerações de mulheres na política.

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