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Estudo mostra que seis fortes ondas de calor devem atingir o Brasil em 2026

El Niño superforte provoca eventos climáticos extremos no país, mas calor prevalece em todas as regiões; saúde, economia e agricultura são afetados

5 min

29/08/2026 09:34 • Atualizado há 2 dias

Estudo mostra que seis fortes ondas de calor devem atingir o Brasil em 2026

O Brasil deve ser atingido por pelo menos seis ondas intensas de calor nos próximos meses devido à influência do Super El Niño, aponta uma análise divulgada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). As temperaturas elevadas, de acordo com o estudo, devem prevalecer em todo o país, em regiões com estiagens e com chuvas intensas.

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O Cemaden avaliou o histórico de 47 anos de registros de temperatura em anos influenciados pelo fenômeno El Niño para chegar a esta projeção.

De acordo com a pesquisadora Mabel Calim Costa, do Sistema Terrestre e investigadora do Cemaden, a frequência de dias extremamente quentes pode superar a média estimada devido à intensidade do atual Super El Niño, que caminha para figurar entre os mais fortes já documentados. No evento anterior, o país contabilizou nove ondas de calor.

Uma onda de calor difere de um dia isolado de temperaturas elevadas por se estender por um período mínimo de três dias consecutivos, nos quais as máximas e as mínimas permanecem excepcionalmente acima da média, sem trégua para a população. O atual cenário aponta para um padrão de calor e seca combinados a chuvas intensas distribuídas de maneiras distintas entre as regiões, tendo o calor extremo como denominador comum de norte a sul.

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Mudança de comportamento climático no país

Os dados levantados pelo Cemaden acendem dois alertas principais: as ondas de calor estão mais frequentes e mais extensas no território brasileiro.

Enquanto nas décadas de 1980 e 1990 os episódios de calor extremo eram raros e restritos a áreas como o Nordeste, a situação mudou de figura a partir de 2010, acentuando-se após 2020. Atualmente, as ondas de calor cobrem grandes extensões territoriais de forma simultânea, eliminando pontos de refúgio contra as altas temperaturas no país.

O levantamento do Cemaden apresenta uma mudança de comportamento relevante nas últimas duas décadas: enquanto nos anos 1980 e 1990, os episódios de calor extremo eram raros e concentrados em regiões como o Nordeste, a partir de 2010, e de forma mais acentuada depois de 2020, o cenário mudou e as ondas de calor ficaram mais frequentes e começaram a atingir outras regiões, como Sudeste e Sul.

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O período de 2023 a 2024 foi o pico da série histórica: nove ondas de calor entre agosto e dezembro, o maior número já registrado desde 1979 — mais que o dobro da média geral do país, que é de quatro registros. Uma das ondas mais sentidas em São Paulo ocorreu em setembro de 2023, quando as temperaturas atingiram marcas acima de 40ºC na capital paulista.

Agricultura, saúde e economia

O avanço e a formação do Super El Niño trazem sérias preocupações para a economia brasileira, ultrapassando a esfera puramente ambiental e convertendo-se em um fator de risco macroeconômico. O fenômeno atinge não somente o agronegócios, afetando a produção de alimentos como as áreas de saúde, energia, logística e outras.

A agricultura e a pecuária são os setores que sentem os efeitos do El Niño imediatamente, resultando no encarecimento dos alimentos e, consequentemente, a inflação brasileira. Secas severas nas regiões Norte e Nordeste e chuvas excessivas ou temporais em outras áreas prejudicam plantações, reduzem a oferta de produtos agrícolas e geram perdas de produtividade no campo. Essa quebra de safra ou dificuldade de escoamento pressiona o custo de vida e eleva as projeções de inflação feitas por economistas, o que inclusive impacta cálculos governamentais, como a projeção do salário mínimo.

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No setor energético, o El Niño impacta a conta de luz. Com o regime de chuvas irregular e o risco de secas prolongadas em áreas de bacias hidrográficas importantes, a geração hidrelétrica pode ser comprometida. Para suprir a demanda, o país é obrigado a acionar as usinas termelétricas. Como essa matriz energética é consideravelmente mais cara e poluente, o custo adicional é repassado para a conta de luz dos consumidores (bandiras tarifárias), gerando um efeito cascata de alta nos custos industriais e residenciais.

O fenômeno também afeta severamente rodovias, ferrovias e portos por meio de eventos extremos (como deslizamentos causados por chuvas intensas no Sul ou problemas de navegação fluvial na Região Norte decorrentes da estiagem nos rios). A dificuldade de escoamento afeta desde a Zona Franca de Manaus até o escoamento de grãos do Centro-Oeste, encarecendo o frete e atrasando entregas.

Estimativa de Prejuízos

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) apontou que os impactos iniciais de desastres associados a essas mudanças climáticas já somam bilhões de reais em prejuízos econômicos diretos e indiretos para municípios e setor privado (com estimativas que ultrapassam os R$ 3,5 bilhões em perdas acumuladas em diversas regiões afetadas por secas extremas ou enchentes).

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Governos estaduais e federal acumulam faturas pesadas com a reconstrução de pontes, estradas e infraestrutura urbana destruída por temporais ou secas prolongadas — despesas que desorganizam o planejamento fiscal e exigem remanejamento orçamentário.

O Ministério da Fazenda e analistas de mercado precisaram recalibrar índices econômicos e parâmetros orçamentários (como metas fiscais e reajustes de pisos previdenciários e do salário mínimo para o próximo ano) justamente em virtude da alta inflacionária puxada pelos choques de oferta gerados pelo clima.

Saúde em risco

O fenômeno El Niño é considerado um dos grandes determinantes ambientais da saúde pública. O padrão de chuvas irregulares intercaladas com fortes ondas de calor cria o cenário ideal para a reprodução do mosquito Aedes aegypti. Isso impulsiona surtos e epidemias de dengue, Zika e Chikungunya em várias regiões do país.

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O acúmulo de água da chuva ou, por outro lado, o armazenamento inadequado de água devido à seca, também favorece a incidência de doenças como a leptospirose (ligada a enchentes e ao contato com água de alagamento contaminada pela urina de ratos).

No dia-a-dia, a saúde dos brasileiros pode ser afetada pelas ondas de calor intensas com estresse térmico e desidratação, agravamento de problemas crônicos como a hipertensão e a insuficiência cardíaca e renal, que sofrem maior sobrecarga metabólica durante as ondas de calor.

Idosos, crianças pequenas, gestantes e trabalhadores expostos ao sol sem proteção adequada são os mais afetados,

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