Acidentes de moto geram custo de R$ 46,8 milhões à saúde em 2026
Alta no número de vítimas de acidentes de motocicleta sobrecarrega hospitais e exige tratamentos de reabilitação
A escalada no número de acidentes de motocicleta no Brasil gera um impacto milionário nos cofres públicos e sobrecarrega o sistema de saúde do país. Somente entre janeiro e maio de 2026, o atendimento a vítimas de acidentes com motos custou R$ 46,8 milhões à União. No ano passado, mais de 8 mil pessoas morreram em ocorrências envolvendo o transporte sobre duas rodas no território nacional.
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No Estado do Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde destinou R$ 97 milhões para o atendimento hospitalar a motociclistas acidentados desde 2019. A estatística coloca as ocorrências com motos como a terceira maior causa de internações na rede fluminense, ficando atrás apenas de quedas e de casos de exposição a corrente elétrica ou radiação.
A avaliação sobre os impactos sociais e financeiros é de Rodrigo Prado, secretário municipal de Saúde do Rio. Ele destaca que a situação se consolidou como um problema grave de saúde pública, tanto pelo volume diário de pacientes socorridos quanto pela letalidade e pelas consequências de longo prazo na vida dos sobreviventes.
Além da pressão em salas de cirurgia e leitos de emergência, os acidentes deixam sequelas físicas que afastam milhares de trabalhadores do mercado de trabalho. Para lidar com a demanda de pacientes sequelados, unidades de saúde adaptaram estruturas para focar na recuperação da autonomia e nas tarefas do cotidiano.
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A reportagem no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) mostra o trabalho de reabilitação realizado com pacientes que tentam retomar rotinas básicas. Em um espaço que simula um ambiente doméstico, a terapeuta ocupacional Martha Menezes Lucas orienta pacientes a reaprenderem movimentos simples, como cortar alimentos e calçar sapatos com o auxílio de adaptações.
A perda de autonomia e o afastamento da rotina produtiva afetam diretamente a saúde mental das vítimas. O fisioterapeuta Elsimar Leão de Araújo explica que a reabilitação envolve o acompanhamento emocional e a aplicação de técnicas como a acupuntura para reduzir dores e conter quadros de ansiedade durante o tratamento.
A melhora no quadro de saúde possibilita a reinserção social de trabalhadores que passaram anos em recuperação. O servente de obras Alessandro Soares Santos relata que o trabalho das equipes de terapia ocupacional permitiu que ele voltasse a se sentar e se levantar sozinho, etapas fundamentais para o retorno ao mercado de trabalho.
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A mesma trajetória de superação é compartilhada pelo padeiro Damon Gabriel Marques, que passa por sessões quinzenais no Into há dois anos após sofrer um acidente na garupa de uma moto. Ele destaca que o tratamento contínuo permitiu recuperar a mobilidade do braço e do ombro, além de transformar seu estado emocional ao longo do processo de reabilitação.
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