Aos 80 anos, idosa crossfiteira viraliza com treinos nas redes sociais
Moradora de Dourados, Olgari Imperador da Silva começou a treinar há três meses após dores no braço e já participou de competição da modalidade

Aos 80 anos, a aposentada Olgari Imperador da Silva, moradora de Dourados (MS), passou a integrar um grupo pouco comum para a sua faixa etária: o de praticantes de crossfit. A adesão à modalidade ocorreu no início deste ano, após um período de dores persistentes no braço e, desde então, tem repercutido nas redes sociais, onde vídeos de seus treinos acumulam milhares de visualizações.
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Segundo a própria "Dona Tá" — como é carinhosamente chamada pelos amigos e vizinhos —, a decisão de iniciar a atividade física partiu de um incentivo familiar.
A neta, a professora de física Francylaine Brito, conta que já praticava crossfit e decidiu incluir a avó na rotina. “A gente tentou outras alternativas antes, mas nada resolvia de fato. Ela tomava remédio, a dor melhorava, mas voltava assim que suspendia o medicamento. Nunca era algo efetivo. Então, conversei com a minha mãe e decidi ajustar a minha rotina para levá-la comigo”, afirma.
Rotina de treinos e adaptação
O início das atividades foi em janeiro deste ano. Desde então, Olgari frequenta um grupo voltado à “melhor idade”, do box NewIn, com treinos três vezes por semana. Antes disso, ela nunca havia praticado atividade física regular — no máximo, fazia pequenas caminhadas esporádicas pela cidade. Os exercícios são adaptados conforme as limitações individuais, com ajustes de carga e execução.
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De acordo com Francylaine, a evolução tem sido gradual. “No começo, ela tinha limitação de movimento por causa da dor. Fazia versões mais simples dos exercícios. Com o tempo, foi evoluindo e hoje já consegue executar melhor”, explica.
A própria Olgari relata melhora no quadro físico. “Para mim foi bom. A dor melhorou”, afirma.
Impacto na qualidade de vida
Além dos ganhos físicos, a prática também teve reflexos na rotina e no convívio social da idosa. Morando em um sítio afastado, ela passava a maior parte do tempo sozinha durante a semana.
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Com a nova atividade, ela passou a ter contato frequente com outras pessoas e a ampliar o convívio social. “Ela chegou mais tímida, mas hoje conversa com todo mundo, fez amizade. Tem sido bom para o corpo, mas também para a mente dela”, relata a neta.
Apesar disso, Dona Tá ressalta que sempre manteve a autonomia nas atividades do dia a dia, mesmo antes de iniciar no crossfit. “Eu leio, escrevo, faço conta, minha cabeça é boa”, afirma.
Participação em competição
Mesmo com pouco tempo de treino, a idosa decidiu participar do Open 26, competição internacional da modalidade, realizada anualmente. A inscrição partiu dela própria, segundo a neta.
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“Ela pediu para participar. Eu achei que não ia querer, porque tinha pouco tempo de treino, mas ela insistiu”, afirma Francylaine.
Durante a competição, Olgari completou as provas propostas dentro das adaptações previstas para sua categoria. Em uma delas, chegou a realizar mais de 200 repetições.
“São provas exigentes, mesmo adaptadas. E ela conseguiu concluir. Fiquei impressionada, mas também muito feliz por ela”, destaca a neta.
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Trajetória de vida
A disposição, no entanto, não surgiu agora. Dona Olgari sempre foi ativa. Trabalhou desde cedo, lavou roupas para fora e, mesmo com apenas a quarta série, passou em um concurso público e dedicou 22 anos de sua vida a uma creche.
“Eu trabalhei cuidando de criança pequena. Só saí quando me aposentei”, lembra.
Viúva há duas décadas, ela construiu uma vida cercada pela família. São três filhos, sete netos e seis bisnetos. Hoje, mora em uma casa no mesmo terreno da filha, onde divide o tempo entre os cuidados com a terra, o preparo de pão caseiro e, agora, os treinos.
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Repercussão nas redes sociais
Os vídeos dos treinos começaram a ser publicados sem grandes pretensões, segundo a neta, com o objetivo inicial de acompanhar a evolução da avó.
“Eu filmava quando conseguia e postava. Foi acontecendo”, afirma a professora.
A repercussão, no entanto, surpreendeu a família. “Eu fico feliz de saber que as pessoas veem e gostam”, diz Olgari. “Vai ser legal se eu ficar famosa”, brinca.
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Exemplo de persistência
Apesar do início tardio no esporte, a idosa mantém uma rotina ativa desde sempre, o que, segundo ela, contribui para a disposição atual.
“Eu sempre fui de fazer as coisas, nunca gostei de ficar parada”, afirma.
Determinada, ela resume a própria postura diante dos desafios: “Quando eu decido fazer uma coisa, eu vou lá e faço”.
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A expectativa da família é que a nova rotina contribua para a longevidade e qualidade de vida. “Agora, nesse ritmo, ela vai longe”, afirma a neta.
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