Blefaroplastia: Jade Salim explica quando operar e quando esperar
Cirurgiã plástica fala sobre indicação, recuperação, expectativas e situações em que adiar o procedimento mais seguro

Um olhar que parece constantemente cansado ou triste nem sempre está relacionado à falta de sono. Com o envelhecimento, diferentes estruturas ao redor dos olhos podem se modificar: a pele perde firmeza, as bolsas de gordura podem se tornar mais evidentes e a posição das sobrancelhas também pode mudar. Por isso, a indicação de uma blefaroplastia começa antes da cirurgia, com uma avaliação capaz de identificar o que realmente está provocando a queixa.
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A cirurgiã plástica Jade Salim, que atua em Juiz de Fora, Minas Gerais, explica que nem sempre aquilo que o paciente percebe como excesso de pele nas pálpebras tem uma causa isolada. O posicionamento das sobrancelhas e outras características da região também podem interferir na expressão e precisam ser analisados em conjunto.
“O que vale é entender realmente qual é a dor desse paciente, o que incomoda e qual é a queixa dele, para então apresentar as possibilidades. Muitas vezes, ele acha que a pálpebra está caída, mas é a sobrancelha. É preciso explicar os caminhos possíveis sem mudar o que aquela pessoa é.”
Essa análise individual é especialmente importante em uma região diretamente ligada à expressão facial. A proposta, segundo a especialista, não deve ser retirar ou elevar estruturas indiscriminadamente, mas buscar equilíbrio dentro das características de cada rosto.
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Quando a blefaroplastia pode ser indicada
Entre as alterações que podem ser observadas com o passar dos anos está o excesso de pele na pálpebra superior. As bolsas de gordura das pálpebras também podem se tornar mais aparentes e contribuir para mudanças no contorno dos olhos.
A blefaroplastia pode ser considerada para tratar algumas dessas alterações, mas não existe uma indicação única para todos os pacientes. A extensão da cirurgia depende da anatomia, da queixa, das condições clínicas e das estruturas envolvidas.
Preservar a expressão é um dos pontos que orientam esse planejamento.
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“O foco principal é gerar proporção, equilíbrio e harmonia. Se eu vou retirar a pele que está em excesso, não preciso retirar além disso. Não é necessário levantar demais a sobrancelha ou subir excessivamente o canto lateral dos olhos. Tudo o que é feito com equilíbrio costuma preservar um resultado mais natural.”
Também não existe uma idade determinada que, sozinha, estabeleça o momento de procurar uma avaliação. Algumas pessoas apresentam alterações mais precocemente; outras só passam a se incomodar com elas depois de várias décadas.
“É completamente individual. Tem paciente que faz a cirurgia da pálpebra com 20 ou 25 anos e tem paciente que só vai fazer a primeira cirurgia aos 60 ou 70. É importante lembrar também que a cirurgia não freia o envelhecimento. Ele continua acontecendo.”
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Essa compreensão é importante para alinhar expectativas. A blefaroplastia pode tratar alterações presentes naquele momento, mas não interrompe as mudanças naturais que continuarão ocorrendo na pele e nos demais tecidos.
Em alguns casos, a avaliação ultrapassa a questão estética. O excesso de pele na pálpebra superior pode interferir no campo visual e fazer com que a pessoa eleve constantemente as sobrancelhas na tentativa de compensar essa limitação.
Jade utiliza uma imagem simples para diferenciar a qualidade da visão da interferência provocada pela pele sobre o campo visual.
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“É como se estivéssemos diante de uma janela de vidro e houvesse uma persiana descendo. O problema não está necessariamente na visão em si: a janela não está trincada nem suja, mas a persiana diminui a área disponível. A cirurgia não muda a qualidade visual, mas, quando existe essa indicação, pode ampliar o campo que estava sendo limitado.”
Queixas visuais precisam ser analisadas individualmente e podem exigir avaliação específica, sobretudo quando existem outros sintomas ou condições oculares associadas.
“Blefaroplastia sem cortes” exige atenção à indicação
A busca por tratamentos menos invasivos trouxe ao consultório uma dúvida recorrente: seria possível obter o mesmo resultado de uma blefaroplastia recorrendo apenas a tecnologias ou procedimentos não cirúrgicos?
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Toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno, lasers e tecnologias baseadas em ultrassom podem fazer parte de tratamentos faciais, mas atuam sobre objetivos diferentes. Dependendo da indicação, podem contribuir para o tratamento de rugas, qualidade da pele ou determinadas alterações da região próxima às sobrancelhas.
O ponto central é compreender que esses recursos não são intercambiáveis e, principalmente, que não substituem necessariamente uma cirurgia quando existe excesso significativo de pele.
“Os tratamentos não cirúrgicos têm suas indicações, mas também têm limitações. Alguns são transitórios e outros conseguem melhorar determinados aspectos da pele. Se existe um excesso muito grande de pele, porém, é preciso ser verdadeiro com o paciente sobre aquilo que um procedimento não invasivo realmente consegue oferecer.”
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A expressão “blefaroplastia sem cortes”, bastante difundida nas redes sociais, também precisa ser interpretada com cautela.
Na pálpebra inferior existe a possibilidade de uma técnica em que o acesso é realizado pela parte interna da conjuntiva em pacientes selecionados. Essa abordagem pode ser utilizada para tratar bolsas de gordura sem uma incisão externa na pele. Ela, porém, não resolve todas as alterações e não deve ser apresentada como equivalente a qualquer tipo de blefaroplastia.
“Na pálpebra inferior, existe a possibilidade de fazer a abordagem por dentro da conjuntiva em determinados casos, principalmente para tratar as bolsas. Mas, se existe excesso de pele que precisa ser retirado, a situação é diferente.”
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A definição entre cirurgia e alternativas menos invasivas depende, portanto, da alteração existente, da anatomia e das expectativas de cada paciente. A escolha de um tratamento apenas porque ele é apresentado como novo ou menos invasivo pode criar expectativas incompatíveis com aquilo que o recurso é capaz de entregar.
Recuperação também faz parte da decisão
O pós-operatório da blefaroplastia é outro ponto que costuma gerar dúvidas. Por ter pele muito fina e vascularizada, a região ao redor dos olhos pode apresentar inchaço e hematomas depois da cirurgia. A intensidade dessas alterações e o tempo necessário para que diminuam variam entre as pessoas.
Por esse motivo, a recuperação precisa entrar no planejamento antes do procedimento. Retorno às atividades, prática de exercícios, exposição solar, controle de condições clínicas e disponibilidade de uma rede de apoio são fatores que podem interferir nesse período e devem seguir as orientações da equipe responsável.
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Para Jade, explicar previamente o que o paciente poderá encontrar no espelho também faz parte do cuidado.
“O paciente precisa se organizar e ter uma rede de apoio. Também precisa saber que pode se estranhar quando se olhar no espelho nos primeiros dias. Existem pessoas que apresentam mais inchaço ou hematomas e outras que evoluem de forma mais rápida. O resultado vai amadurecendo ao longo do caminho.”
Na experiência relatada pela cirurgiã, muitos pacientes já conseguem perceber uma evolução importante por volta de 30 dias, embora o processo possa continuar amadurecendo ao longo de aproximadamente três meses. Esses prazos não são uma regra: idade, condições clínicas e extensão do procedimento podem interferir na recuperação.
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É justamente essa imprevisibilidade individual que torna inadequado planejar uma cirurgia muito próxima a um compromisso no qual a aparência seja particularmente importante.
Jade recorda que já precisou desencorajar uma paciente que pretendia operar antes de um casamento.
“Pode acontecer de o paciente ficar muito bem rapidamente, quase sem hematomas ou inchaço, mas também pode acontecer o contrário. Se existe um evento importante muito próximo, precisamos trabalhar com essa possibilidade. Às vezes, a melhor decisão é adiar a cirurgia.”
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A capacidade de dizer “não” ou “ainda não” ocupa, assim, um espaço importante na relação entre médico e paciente. Mesmo quando um procedimento é tecnicamente possível, o momento de vida, as condições para cumprir o pós-operatório e a expectativa em relação ao resultado precisam ser considerados.
Naturalidade, tecnologia e expectativas
O desejo por resultados menos perceptíveis também mudou parte das conversas no consultório. Em vez de buscar uma transformação evidente, Jade observa pacientes preocupados em preservar as próprias características.
Essa busca, no entanto, convive com a exposição constante a filtros, imagens editadas e tendências estéticas nas redes sociais. Para a cirurgiã, referências externas podem participar da decisão, mas não devem substituir a análise do rosto e das necessidades individuais.
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“Hoje, muitas pessoas não querem que pareça que fizeram uma cirurgia. Querem se sentir diferentes, mas ainda se reconhecer. Isso exige entender o rosto daquele paciente, a sua proporção e aquilo que realmente pode ser feito sem transformar sua identidade.”
O mesmo raciocínio vale para as tecnologias que surgem continuamente na área estética. Novos equipamentos e tratamentos podem ampliar as possibilidades de cuidado, desde que sejam empregados para indicações específicas e com expectativas compatíveis.
Jade chama atenção para a velocidade com que novidades chegam ao público e para a necessidade de separar inovação de promessa.
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“A ciência vem antes do marketing. Surgem tecnologias e tratamentos novos o tempo inteiro, e é preciso entender se aquilo tem embasamento, se é seguro e para quem realmente está indicado. É muito difícil existir um único tratamento capaz de resolver todas as alterações do envelhecimento.”
Essa cautela ajuda a afastar a ideia de que existe um procedimento universal ou uma solução capaz de produzir o mesmo efeito em diferentes rostos. Na blefaroplastia, assim como em outros tratamentos faciais, indicação, segurança e expectativa precisam caminhar juntas.
Quem é Jade Salim
Jade Borborema Salim nasceu em Patos de Minas, Minas Gerais, e viveu parte da juventude em Montes Claros, também em Minas Gerais. Antes de escolher a Medicina, o esporte ocupava um espaço importante em sua rotina e o handebol chegou a ser uma possibilidade de caminho profissional. A área médica surgiu posteriormente e ganhou força pela identificação com atividades em que pudesse participar de forma direta do cuidado e da transformação do paciente.
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Sua formação em Medicina foi realizada em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Após a graduação, Jade passou por experiências em urgência e emergência e seguiu a formação cirúrgica, primeiro em Cirurgia Geral e, posteriormente, em Cirurgia Plástica. Foi durante esse percurso que direcionou progressivamente seu interesse para a face, área em que passou a concentrar também seus estudos complementares.
Atualmente, atua em Juiz de Fora, Minas Gerais, com foco principalmente em cirurgia da face, blefaroplastia e cosmiatria. Na relação com os pacientes, defende que a indicação de um procedimento não deve considerar apenas a possibilidade técnica de realizá-lo. Expectativas, momento de vida, condições para enfrentar a recuperação e compreensão dos limites de cada tratamento também fazem parte da decisão.
Essa perspectiva aparece ainda na maneira como aborda a estética: para Jade, preservar características individuais e saber dizer “não” ou recomendar que um procedimento seja adiado podem ser tão importantes quanto a própria técnica cirúrgica. A escuta, especialmente diante da vulnerabilidade que pode acompanhar uma decisão estética, integra a forma como conduz o atendimento.
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Instagram: @drajadesalim
Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News

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