Casos de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos quase triplicam
Levantamento aponta que proporção de diagnósticos em pacientes com menos de 40 anos saltou de 8% para 22%

O câncer de mama, historicamente associado a mulheres acima dos 50 anos, registra um avanço expressivo na faixa etária jovem. Um levantamento do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo mostra que a proporção de diagnósticos em pacientes com menos de 40 anos saltou de 8%, em 2009, para 22%, em 2020, o que representa um aumento que quase triplica os registros em pouco mais de uma década.
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O tema ganha repercussão com o diagnóstico da atriz Bruna Furlan, aos 24 anos, reforçando que a doença não escolhe idade às vésperas do Outubro Rosa.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano no triênio de 2026 a 2028, com risco estimado de 71,57 ocorrências a cada 100 mil mulheres.
Ao mesmo tempo, a busca pela doença segue em alta nas redes, apesar de mais discretamente. Segundo dados do Google Trends, pesquisas sobre o tema tiveram um aumento de 2% em setembro em relação ao mês anterior, mas uma queda de 10% em relação ao mesmo mês de 2025.
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Veja o gráfico na íntegra:

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional identificada por um estudo publicado no periódico JAMA Network Open, que apontou crescimento contínuo na incidência entre mulheres de 20 a 49 anos nos Estados Unidos ao longo de duas décadas. Diante dos dados, a mastologista e ginecologista Amanda Vanzelli ressalta que o aumento exige atenção redobrada, embora não deva gerar alarmismo na população.
Fatores de risco e comportamento da doença
Especialistas destacam que o câncer de mama é multifatorial e envolve desde hábitos de vida até predisposições genéticas. Mudanças no padrão reprodutivo, obesidade, sedentarismo e consumo de álcool influenciam diretamente nas estatísticas, além da exposição hormonal prolongada ao longo da vida.
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No entanto, a médica lembra que manter hábitos saudáveis reduz riscos, mas não funciona como um escudo absoluto contra a doença.
Em mulheres jovens, o comportamento tumoral costuma apresentar maior agressividade, com maior incidência de tipos como o triplo-negativo e o HER2 positivo. Somado a isso, o diagnóstico tende a ocorrer mais tarde devido à ausência de exames de rastreamento rotineiro nessa faixa etária.
Desde 2025, o SUS garante o acesso à mamografia para mulheres entre 40 e 49 anos sob decisão compartilhada, enquanto o rastreamento bienal oficial permanece focado na faixa de 50 a 74 anos, divergindo das diretrizes de sociedades médicas que recomendam o exame anual a partir dos 40 anos.
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