Saúde

Como funciona a radioterapia no câncer de pulmão

Dr. Robson Ferrigno explica o papel da radioterapia em diferentes fases da doença e esclarece as principais dúvidas sobre o tratamento

3 min

19/08/2026 07:00 • Atualizado há 13 dias

Como funciona a radioterapia no câncer de pulmão

A radioterapia é um dos três pilares do tratamento oncológico, ao lado da cirurgia e da terapia sistêmica, que inclui medicamentos como quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. No câncer de pulmão, ela pode ser utilizada em diferentes fases da doença, tanto com intenção curativa quanto para aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida.

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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no Brasil no triênio 2026–2028. Neste Agosto Branco, mês de conscientização sobre a doença, conhecer as opções terapêuticas disponíveis é fundamental para que pacientes e familiares compreendam melhor o tratamento.

Introdução

A radioterapia é um tratamento que utiliza radiações ionizantes para tratar vários tipos de câncer e outras enfermidades. Essas radiações são raios X de alta energia que penetram no corpo do paciente até atingir o tumor. Ao alcançar o tumor, as células que o compõem são destruídas.

Tanto as células malignas quanto as células normais podem sofrer danos. No entanto, as células normais geralmente têm maior capacidade de reparar os efeitos provocados pela radiação. Além disso, a tecnologia desenvolvida nos últimos anos permite concentrar as radiações no tumor, poupando, ao mesmo tempo, os órgãos e tecidos normais vizinhos.

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Por ser um tratamento que atua de forma localizada, tanto os benefícios quanto os possíveis efeitos colaterais dependem da região do corpo que está recebendo a radiação.

Indicações da radioterapia no câncer de pulmão

Em pacientes com câncer de pulmão, a radioterapia pode ser utilizada em todas as fases da doença, seja com finalidade curativa, seja para aliviar sintomas, como dor, sangramento ou obstrução das vias aéreas.

As principais situações para uso da radioterapia incluem:

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Estágios iniciais

A cirurgia é o tratamento padrão para tumores iniciais de pulmão. No entanto, a radioterapia pode ser utilizada com finalidade curativa em pacientes sem condições clínicas de suportar uma cirurgia (por exemplo, por apresentarem doenças que aumentam o risco cirúrgico) ou naqueles que optam por não realizar o procedimento.

Nesses casos, a radioterapia com a técnica conhecida pela sigla inglesa SBRT (Stereotactic Body Radiation Therapy), muitas vezes chamada de forma equivocada de radiocirurgia de pulmão, apresenta excelentes taxas de controle local da doença e poucos efeitos colaterais. O tratamento é realizado, em geral, em três a cinco aplicações, em dias alternados. As sessões são rápidas, duram cerca de 15 minutos, e o paciente normalmente não sente qualquer efeito durante a aplicação.

Tumor localmente avançado

Nessas situações, a radioterapia externa é utilizada em combinação com a quimioterapia, sendo iniciada na mesma semana do primeiro ciclo do tratamento medicamentoso.

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Em geral, são realizadas 30 aplicações, cinco vezes por semana, em dias úteis. Nos casos de câncer de pulmão de pequenas células limitado ao tórax, também são feitas 30 aplicações, porém elas podem ser administradas duas vezes ao dia (estratégia conhecida como hiperfracionamento) permitindo a conclusão do tratamento em 15 dias úteis.

Estágios avançados com metástases

Quando o câncer de pulmão apresenta metástases à distância, a radioterapia é utilizada principalmente para aliviar sintomas, como dor óssea provocada pelas metástases, obstrução das vias aéreas com falta de ar, dificuldade para engolir causada pela compressão do esôfago pelo tumor ou sangramento pelos brônquios.

Nesses casos, o número de aplicações costuma ser menor, variando de uma a cinco sessões.

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Quando esse tratamento é indicado, o paciente deve procurar um médico com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Radioterapia, que poderá orientar sobre a indicação, as características do tratamento, os resultados esperados e os possíveis efeitos colaterais.

Com os avanços tecnológicos das últimas décadas, a radioterapia tornou-se um tratamento cada vez mais eficaz, preciso e seguro.

Robson Ferrigno é médico especialista em Radioterapia, coordenador médico dos Serviços de Radioterapia do Hospital BP Paulista, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer

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