Déficit de clínicas de hemodiálise obriga pacientes a viagens longas no Brasil
A falta de clínicas de hemodiálise representa um desafio para a saúde pública no Brasil, obrigando milhares de pacientes do interior a migrarem para os
A falta de clínicas de hemodiálise representa um desafio para a saúde pública no Brasil, obrigando milhares de pacientes do interior a migrarem para os grandes centros urbanos em busca de tratamento.
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A gravidade da situação é ilustrada pelo caso da modelo Clara Napoli, que deixou sua cidade no Espírito Santo para morar em São Paulo. Ela precisa realizar sessões hemodiálise seis dias por semana e sua cidade-natal não tem estrutura para o tratamento.
Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que ao menos 173 mil pessoas dependem do tratamento no país, um contingente que cresceu mais de 50% na última década sem o respectivo acompanhamento na oferta de serviços.
Essa disparidade geográfica resulta em estatísticas alarmantes: apenas seis em cada dez pacientes conseguem atendimento em suas próprias regiões metropolitanas, enquanto 48% precisam percorrer mais de 40 quilômetros para realizar a diálise.
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A concentração de centros especializados na região Sudeste e nas capitais ocorre pela facilidade na captação de profissionais e materiais. Em 2024, cerca de 1.100 pessoas ocupavam leitos hospitalares sem necessidade médica por falta de vagas nas unidades ambulatoriais, enquanto a projeção para 2030 aponta que 250 mil brasileiros dependerão da terapia renal substitutiva.
O modelo de financiamento público agrava o cenário ao manter uma disparidade entre os custos operacionais e os valores repassados. O custo real de uma sessão atinge cerca de R$ 340,00, ao passo que a remuneração paga pelo Sistema Único de Saúde, somada a isenções tributárias recentes de 2026, chega a R$ 270,00, gerando uma defasagem de pelo menos 30% que desincentiva a abertura de novos estabelecimentos capazes de realizar hemodiálise.
Especialistas apontam que a reversão desse quadro exige tanto o aporte de investimentos e a descentralização dos serviços para aproximar o tratamento dos pacientes quanto a intensificação do controle de comorbidades na atenção básica. A prevenção e o manejo adequado da hipertensão e do diabetes são apontados como medidas fundamentais para reduzir, no longo prazo, o fluxo de novos pacientes que ingressam na fila da diálise.
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