Estudo liga canetas emagrecedoras à queda na vontade de consumir álcool
Cientistas e pesquisadores do Brasil e do mundo investigam a relação entre o uso de canetas emagrecedoras, como a semaglutida e a tirzepatida, e a redução da

Cientistas e pesquisadores do Brasil e do mundo investigam a relação entre o uso de canetas emagrecedoras, como a semaglutida e a tirzepatida, e a redução da compulsão por bebidas alcoólicas. Os medicamentos vêm demonstrando um efeito secundário promissor no controle de vícios.
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No entanto, por se tratar de uma aplicação off-label (fora da bula) e ainda sem aprovação regulatória para dependência química, os especialistas alertam para a necessidade de cautela e acompanhamento médico.
Os primeiros indícios dessa ação surgiram dos relatos espontâneos dos próprios pacientes. Ao utilizarem as substâncias para perda de peso, as pessoas passaram a reportar a perda repentina do desejo de consumir álcool.
Segundo o professor de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Dartiu Xavier, os resultados têm se mostrado promissores e consistentes, inclusive em casos de pacientes resistentes às terapias tradicionais.
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Do ponto de vista biológico, drogas como a semaglutida e a tirzepatida simulam hormônios que promovem a saciedade e atuam em regiões do cérebro ligadas ao sistema de recompensa e vício.
A principal hipótese investigada pelos cientistas é que esses fármacos reduzam a liberação de dopamina na via de recompensa cerebral em resposta a estímulos prazerosos.
Apesar das descobertas, a comunidade científica busca esclarecer questões centrais, como a dosagem correta, os efeitos colaterais e a resposta do tratamento em pacientes alcoólatras que não apresentam obesidade.
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O coordenador do Núcleo de Álcool e Drogas do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Arthur Guerra de Andrade, ressalta que um único medicamento nunca foi capaz de solucionar o alcoolismo de forma isolada, sendo indispensável uma abordagem terapêutica multiprofissional e continuada.
A busca por alternativas terapêuticas é urgente no cenário nacional. Dados do 3ª Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), do INPAD/Unifesp, indicam que cerca de 20 milhões de brasileiros apresentam transtornos relacionados ao uso de álcool, dentro de um universo de quase 74 milhões de consumidores regulares.
Atenta a essa demanda, a farmacêutica responsável pela tirzepatida já desenvolve pesquisas com a molécula brenipatide voltadas exclusivamente ao alcoolismo, com resultados previstos para 2028.
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