Saúde

A dor que não era só da dengue: morte de Millena Brandão escancara sobre diagnósticos difíceis

Atriz mirim foi tratada para dengue antes da descoberta de um tumor cerebral. Caso levanta debate sobre sintomas comuns, desafios da medicina diagnóstica e o papel da neurologia

3 min

03/05/2025 15:10 • Atualizado há 485 dias

A dor que não era só da dengue: morte de Millena Brandão escancara sobre diagnósticos difíceis

Quando a dor de cabeça é mais que só uma dor de cabeça?

Aos 11 anos, Millena Brandão teve a vida interrompida de forma precoce. A atriz mirim, que acumulava trabalhos em peças, séries e comerciais, foi internada com suspeita de dengue, passou por 12 paradas cardíacas e só depois teve o diagnóstico de um tumor cerebral. A morte cerebral foi confirmada nesta sexta-feira (2).

Continua depois da publicidade

Mais do que um caso isolado, a triste história da jovem artista reacende um debate importante: a dificuldade de diferenciar sintomas que se repetem em diversas doenças e os desafios de um diagnóstico rápido e preciso — especialmente num sistema de saúde que, muitas vezes, lida com escassez de tempo, recursos e estrutura.

Dengue lidera as buscas por sintomas no Google em 2025

A explosão de casos de dengue no Brasil neste ano se reflete também nas buscas do Google. A pergunta “quais são os sintomas da dengue?” lidera o ranking de condições de saúde com maior interesse dos brasileiros em 2025.

Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas clássicos da dengue incluem febre alta, dor no corpo e atrás dos olhos, náuseas, manchas vermelhas e dor de cabeça intensa — exatamente o tipo de sintoma que também pode indicar outras doenças, como foi o caso de Millena.

Continua depois da publicidade

Esse é um dos principais dilemas enfrentados por profissionais da saúde: sintomas inespecíficos que podem indicar desde uma infecção viral até condições neurológicas complexas.

Quando procurar um neurologista?

Entre as perguntas mais feitas no Google nos últimos cinco anos sobre neurologia estão: “Quando procurar um neurologista?” e “O que o neurologista faz na primeira consulta?”. A procura por informações mostra uma preocupação crescente da população com sintomas neurológicos, especialmente quando há dores persistentes, crises de enxaqueca, convulsões ou alterações motoras e cognitivas.

A Sociedade Brasileira de Neurologia orienta que qualquer dor de cabeça fora do padrão, que se repete com frequência ou vem acompanhada de outros sintomas — como náuseas, distúrbios visuais ou desmaios — deve ser investigada. Na primeira consulta, o neurologista avalia o histórico clínico do paciente, faz testes motores e de coordenação e, quando necessário, solicita exames de imagem.

Continua depois da publicidade

Sinais comuns, doenças diferentes: o alerta para exames de rotina

No caso de Millena, a dor de cabeça inicialmente associada à dengue acabou sendo, na verdade, sintoma de algo mais grave. Casos assim mostram como a sobreposição de sintomas entre doenças pode dificultar o diagnóstico precoce, sobretudo em contextos de epidemia, quando a atenção está voltada para os quadros mais prevalentes.

A recomendação de especialistas é clara: exames de rotina, escuta ativa dos sintomas e acompanhamento médico são fundamentais, especialmente na infância, quando sinais mais sutis podem passar despercebidos.

Seguir a Band no Google

Tópicos relacionados

A dor que não era só da dengue: morte de Millena Brandão escancara sobre diagnósticos difíceis