Paulistas infartam até 12 anos mais cedo que o resto do País, mostra estudo
Levantamento da Rede D'Or mostra que idade média dos casos em São Paulo é de 58 anos, contra até 70 em outros estados
Um estudo mostrou que a idade média dos pacientes que sofrem infarto em São Paulo é de 58 anos, até 12 anos abaixo da registrada em outros estados analisados. O levantamento realizado pela Rede D'Or reuniu 4.921 pacientes com suspeita de infarto atendidos entre janeiro de 2025 e março de 2026 em 59 unidades.
Continua depois da publicidade
Dos pacientes analisados, 2.194 tiveram infarto agudo do miocárdio confirmado. Em São Paulo, foram avaliadas 1.482 pessoas, das quais 572 receberam a confirmação do diagnóstico.
A diferença de idade entre os estados chamou a atenção dos pesquisadores. Enquanto São Paulo registrou média de 58 anos, no Rio de Janeiro ela ficou em 62. No Distrito Federal, a média foi de 67 anos; em Minas Gerais, de 67,5; na Bahia, de 69; e, em Pernambuco, chegou aos 70 anos — 12 a mais do que entre os pacientes paulistas.
Para os especialistas, características da rotina de grandes centros urbanos, como São Paulo, podem ajudar a explicar o resultado. Trânsito, poluição e estresse fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas e podem se somar a outros fatores associados às doenças cardiovasculares.
Continua depois da publicidade
"Esses são fatores já conhecidos como fatores de risco para problemas coronarianos, né. E essa pode ser uma explicação para essa diferença regional que a gente encontra aí nos pacientes", afirma o cardiologista Antonio Aurélio Fagundes, da Rede D'Or e pesquisador do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).
Os médicos ressaltam, no entanto, que não existe uma única explicação para que o infarto ocorra mais cedo. O risco é influenciado pela combinação de fatores como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada. O levantamento também aponta o estresse psicossocial entre os fatores associados ao infarto.
Algumas dessas condições podem permanecer silenciosas por muito tempo. Quando se acumulam e são combinadas a uma rotina de estresse e hábitos pouco saudáveis, os riscos de problemas cardiovasculares aumentam.
Continua depois da publicidade
A condição socioeconômica também pode influenciar esse cenário. Segundo o cardiologista Alexandre Abla, pessoas com menor poder aquisitivo ficam mais expostas, entre outros fatores, a uma alimentação baseada em produtos ultraprocessados.
"A população de menor poder socioeconômico é a que fica mais exposta. Porque os alimentos mais baratos são ultraprocessados. E os alimentos ultraprocessados, além de serem mais baratos, são de fácil acesso", explica.
O diretor comercial Roger Rezende sentiu na prática os efeitos de um infarto precoce. Hoje com 45 anos, ele tinha apenas 37 quando começou a sentir um cansaço intenso e falta de ar enquanto subia uma pequena rampa.
Continua depois da publicidade
O mal-estar levou à descoberta do infarto. Roger precisou passar por um procedimento para desobstruir as artérias e, depois do episódio, passou a dedicar mais atenção à própria saúde e aos hábitos do dia a dia.
O caso reforça o alerta dos especialistas diante dos resultados do levantamento. Como fatores como hipertensão, diabetes e colesterol elevado podem evoluir sem sintomas evidentes, o acompanhamento da saúde e a atenção aos hábitos de vida são importantes para identificar riscos antes do surgimento de complicações cardiovasculares.
Fique por dentro das últimas
notícias
