Pediatras alertam para riscos de oferecer whey protein para crianças
Suplementos industrializados usados por influenciadores podem causar sobrecarga renal, puberdade precoce e resistência alimentar em bebês e crianças
Uma nova tendência disseminada por influenciadoras digitais nas redes sociais acende um alerta entre especialistas em saúde infantil: a oferta de suplementos proteicos, como whey protein e creatina, para crianças e até bebês.
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O produto, amplamente utilizado por adultos em ambientes de academia, consiste em um suplemento industrializado feito a partir da proteína extraída do soro do leite. No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que esses compostos não são indicados durante a infância e podem comprometer o desenvolvimento saudável dos menores.
A prática ganha visibilidade por meio de figuras públicas com grande alcance digital. Virgínia Fonseca, que possui 50 milhões de seguidores e comercializa suplementos, frequentemente publica vídeos oferecendo alimentos preparados com o produto, como panquecas de banana, para as filhas. Outra influenciadora do segmento fitness, Carol Borba, declarou em entrevista que adiciona whey protein e creatina na mamadeira que sua filha de 3 anos consome antes de dormir.
Riscos de sobrecarga e puberdade precoce
Especialistas ouvidos pelo Jornal da Band explicam que a suplementação não traz benefícios à saúde infantil e apresenta riscos severos. Anna Dominguez Bohn, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria, ressalta que a carga proteica desses produtos é excessiva para organismos em formação. Segundo a médica, os rins, o fígado e o intestino da criança ainda estão aprendendo a processar nutrientes, e o consumo indevido pode levar a uma sobrecarga renal, formação de cálculos, pressão alta e até falência renal a longo prazo.
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Além dos danos aos órgãos internos, o excesso de proteína interfere no sistema endócrino. Anna Dominguez Bohn esclarece que essa sobrecarga altera o equilíbrio hormonal da criança, podendo causar o surgimento de acne, pelos corporais e sinais de puberdade precoce. Há também o risco de desenvolvimento de diabetes e níveis elevados de colesterol.
Impacto no comportamento alimentar
O uso de suplementos, que geralmente possuem sabor adocicado, pode gerar uma resistência alimentar. Ao preferir o paladar dos industrializados, a criança pode recusar alimentos naturais, o que gera carência de vitaminas, gorduras e outras proteínas essenciais. A orientação médica é clara: quanto mais variada e natural for a alimentação nesta fase, melhor.
Mauro Fisberg, presidente do departamento de nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo, reforça que o whey protein não é proteína pura, mas um combinado que inclui adoçantes, corantes e saborizantes. Para o especialista, esses aditivos químicos interferem diretamente na manutenção de uma dieta saudável e equilibrada. Atualmente, a indicação técnica para o uso desses suplementos é restrita a pessoas com mais de 20 anos.
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