Setembro Verde reforça debate sobre doação de órgãos no Paraná
Campanha destaca que decisão cabe à família e pode salvar vidas
No mês de conscientização sobre a doação de órgãos, a campanha Setembro Verde, realizada no Paraná, reforça a importância de discutir o tema em família e mostra a verdadeira corrida contra o tempo que envolve cada transplante.
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A Central Estadual de Transplantes coordena um fluxo que mobiliza equipes médicas, de enfermagem e logística, do diagnóstico inicial ao procedimento cirúrgico. Cada etapa é pensada para aproveitar ao máximo a janela de tempo entre a identificação do possível doador e o transplante.
Segundo a médica intensivista Luana Alves Tannous, responsável técnica da Central Estadual de Transplantes, o tempo é determinante em todo o processo. Ela afirma que é preciso captar o órgão rapidamente, garantir um transporte ágil e iniciar a cirurgia o quanto antes, para que o órgão chegue em condições adequadas ao receptor.
Protocolos rigorosos nas UTIs
O trabalho começa nas unidades de terapia intensiva, onde as equipes seguem protocolos rigorosos para confirmar a morte encefálica. Para o médico intensivista Leonardo Cunha, essa etapa é essencial para dar segurança às famílias, porque envolve uma série de exames e avaliações que atestam que o paciente de fato faleceu.
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A partir dessa confirmação, entram em ação as equipes responsáveis pela busca ativa de possíveis doadores, que se aproximam dos parentes. Conforme relata Lucimar Sampaio, coordenadora da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos, trata-se de um trabalho de acolhimento, em que profissionais explicam cada etapa do processo e esclarecem dúvidas.
Números da doação e fila de transplantes
No Brasil, em média 45% das famílias recusam a doação de órgãos após a confirmação da morte encefálica. No Paraná, o índice é menor, em torno de 30%. Desde 2011, quando o Sistema Estadual de Transplantes foi criado, já foram realizados cerca de 10 mil transplantes no estado.
Em todo o país, quase 50 mil pessoas aguardam por um órgão. Segundo dados oficiais, 49.506 pacientes estão na fila, em uma espera que pode durar meses ou anos. A ordem de prioridade considera fatores como compatibilidade, tipo sanguíneo e o estado de saúde, com preferência para quem apresenta maior risco de morte.
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A importância de falar sobre o tema em casa
A campanha de Setembro Verde busca reduzir recusas e ampliar o número de doadores, estimulando que o tema seja discutido dentro de casa. Para se tornar doador, não é necessário nenhum documento oficial: basta que a pessoa manifeste à família o desejo de doar seus órgãos em caso de morte. Profissionais do sistema de transplantes avaliam que, quando essa vontade está clara, a decisão tende a ser mais tranquila no momento do luto.
Luto que se transforma em esperança
Foi assim com Marili Lenser, que perdeu o filho Guilherme, de 32 anos, em um acidente de moto em maio deste ano. Ela conta que atendeu ao pedido dele e autorizou a doação, permitindo que o coração, as córneas e outros órgãos dele dessem oportunidade de uma nova vida a outras pessoas.
Segundo Marili, mesmo em meio ao luto, o coração fica um pouco mais leve ao saber que pôde ajudar outras pessoas com os órgãos do filho, transformando a dor em esperança.
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